Vence a dor... Vencedor.

Vence a dor... Vencedor.

Vence a dor... Vencedor.
Por Francilene Vaz
Voluntária do Instituto AutismoS

Orgulhar-se em celebrar as conquistas da pessoa autista que tem a possibilidade de vencer a dor.
Vencer a dor do preconceito.
O processo de busca pelo próprio diagnóstico requer coragem. Principalmente, quando ele vem depois dos laudos de filhos. Lá no íntimo, surge aquela incógnita. E aquela interrogação passa a fazer sentido à medida que os cuidados e o acompanhamento em terapias dos filhos são intensificados. As lembranças da infância solitária, as tentativas frustradas de fazer amigos, o insight dos infortúnios de uma vida escolar marcada por muitos episódios de bullying.
De repente, você observa a mesma cena se repetir, só que agora com um protagonista diferente: seu/sua filho (a). E a dor do preconceito lhe atinge em uma potência indescritível. E você precisa, mais uma vez, vencer.

Vence a dor da autocomiseração.
Quando, nas tentativas excessivas de autorreferência, autoafirmação e autocontrole, também surge uma nova pessoa, tão diferente daquela de outrora, que não tinha diagnóstico de TEA. Consciente do seu processo, sabedora de que a pessoa de antes já não existe mais, que já passou pelas duas grandes vertentes pós-diagnóstico: punição e libert(ação).
O que faremos com aquilo que nos causou dor é a grande questão. A posição de vitimismo não se assemelha a quem merece o protagonismo.
A libertação que um laudo em mãos traz é semelhante a estar preso e soltar-se, estar perdido e encontrar-se, cair e levantar-se, fugir e resgatar-se. Uma ação que é única, pessoal e intransferível. Não dá simplesmente para saber que se é autista e guardar o laudo na "gaveta".
O que eu sou a partir do meu diagnóstico, a postura que eu assumirei determinará o modo que serei tratado.