Sobre sensibilidade ao som no autista

Sobre sensibilidade ao som no autista

Carol Souza


Quando o autista está preparado para o barulho, quando está no controle dele, pode não ser tão sensível sensorialmente. Por exemplo, uma mãe contou uma vez que a sua criança autista sensível a buzina de carro, entrava em crise quando ouvia os outros fazendo isso, mas quando ela mesma fazia no carro do pai, nada acontecia e a criança até gostava.
Já vi o mesmo relato com o liquidificador. A mãe não podia ligar perto do autista, mas, aos poucos ela foi colocando o filho para ligar e desligar e então ele não se incomodava. Uma outra autista era extremamente intolerante a qualquer barulho, mas quando ela usava a furadeira, isso não a incomodava.
Eu tenho uma sensibilidade auditiva muito grande e quando era criança, era muito difícil secar meu cabelo com secador sem que eu surtasse, no entanto, depois que cresci e me ensinaram a secar, eu uso o secador e consigo tolerar um pouco. Eu uso balançando o corpo como pêndulo, isso ajuda muito e estar no controle para ligar e desligar quando começa a incomodar, é ótimo. Porém, quando minha mãe vai secar o cabelo dela, não pode ser perto de mim porque me sobrecarrega.
Outro exemplo é que muitos autistas amam música alta, mas só se for a que eles estão ouvindo, músicas de outros lugares, alguns não suportam.
Muito do incômodo com som em pessoas no espectro está relacionado, além da sensibilidade auditiva, com a imprevisibilidade (sons repentinos) e falta de controle. Quando a pessoa sabe o que vai acontecer e está no controle disso, tende a melhorar.
Claro que cada autista é único e é necessário respeitar sempre e nunca forçar nada.