Depoimento Lays Venâncio

Depoimento Lays Venâncio

Uma das características mais difíceis de lidar tanto para a pessoa autista quanto para as pessoas do seu convívio talvez seja o que chamamos de “ressaca social”. É assim que chamamos os efeitos posteriores a momentos de grande socialização, que esgotam as energias das pessoas no espectro.

A maioria das pessoas com as quais neuroatípicos (autistas) convivem não são autistas. E, em eventos sociais feitos para pessoas neurotípicas (não autistas), há MUITA interpretação acontecendo entre os neurotipos. Afinal, pessoas autistas e não autistas se comunicam, naturalmente, através de um conjunto diferente de linguagens e sinais sociais. Diante da intensa tarefa de buscar decifrar tantas e tantas nuances da socialização neurotípica, nós autistas geralmente acabamos exaustos.

Ademais, muito da socialização é feita em lugares com muito barulho, cheiros... Um verdadeiro caos sensorial.

Às vezes, algumas texturas das paredes, feixes de luz e determinados sons podem causar uma espécie de "estática sensorial” (tipo aquele barulho que o rádio faz quanto tem interferência), o que torna cada vez mais difícil processar o ambiente e as pessoas que nos cercam.

Nós sentimos quando estamos sobrecarregados, mas apesar disso, podemos estar nos divertindo. Queremos estar com aquelas pessoas. O problema é que nem sempre percebemos os sinais de socorro que nosso corpo está nos dando.

Eu geralmente dou umas voltas, mas ao voltar para o caos sensorial, pode ser que já não haja mais espaço no cérebro para processar quase nada. Nem mesmo para explicar direito. Daí alguém chega para tentar interagir, e BUM! 💥 – crise.

Depois de a crise ter passado, a gente sente um esgotamento muito grande, um cansaço imenso – como uma ressaca mesmo.

Lays Venâncio