Deficiência Intelectual

Deficiência Intelectual

Por Fernanda Busnardo


Pedagoga com Habilitação em Educação Especial




O que você pensa, imagina quando escuta o termo Deficiência Intelectual - DI?

Muitas pessoas, infelizmente, ainda vão responder ou criar a imagem mental de pessoas com: “problemas mentais, retardados, bobinhos” e até outros adjetivos pejorativos inadequados as pessoas com DI.

A Deficiência Intelectual (termo correto) se caracteriza por ocorrer antes dos 18 anos de idade e por acarretar importantes limitações no funcionamento intelectual e em comportamentos adaptativos, ou seja, esta pessoa pode apresentar maior dificuldade na resolução de problemas que envolvam o funcionamento cognitivo/intelectual, também nas habilidades sociais, prejuízo em realizar ações do cotidiano como autocuidado, habilidades de vida doméstica, autossuficiência, recursos de comunicação, interação, lazer, segurança. Nem sempre a pessoa vai apresentar dificuldades em todos estes aspectos, mas é necessários apenas 2 critérios prejudicados para diagnostico. Este ainda é feito através de testes de inteligência, como por exemplo medição de Quociente de Inteligência, o teste de QI.

De acordo com o Censo Demográfico, 2010 feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, de 100 pessoas no Brasil, 1 teria Deficiência Intelectual.

As causas podem ser multifatoriais, tanto pré, peri ou até mesmo pós natal e podem vir associadas a fatores biomédicos/processos biológicos (síndromes, distúrbios cromossômicos e genéticos, lesões, prematuridade...). fatores sociais, comportamentais e também fatores educacionais podem ser causadores da DI. As síndromes que mais estão associadas a DI são Síndrome de Down, Síndrome do X Frágil, Síndrome de Willians,

O autismo pode ocorrer em comorbidade com a deficiência intelectual, onde os sintomas que afetam a capacidade da criança de processar e sintetizar informações podem ser ainda mais prejudicados, dificultando o aprendizado de novos conceitos e aquisição de habilidades necessárias para a vida e a aprendizagem escolar.

É importante deixar claro a diferença entre Deficiência Intelectual e Doença Mental, patologias que geram confusão em algumas pessoas e que muitas vezes implicam em mais discriminação. A doença mental é uma doença psiquiatra e requer tratamento de tal especialidade. Já a DI, como o termo já diz, é uma deficiência, um déficit que tem seu tratamento diferenciado sendo importante o olhar de uma equipe multiprofissional (médicos específicos como neurologistas, psicólogos, fonoaudiólogos, professores, terapeutas ocupacionais...).

É comum acharem que pessoas com DI sempre serão infantis por algumas se comportarem como se tivessem menor idade. Porém, esta pessoa vai precisar sim de um tempo maior ou de uma maneira diferente para aprender certas habilidades, desde atos simples como comer usando talheres, tomar banho, até um determinado conteúdo escolar, mas não quer dizer que não é capaz de aprender. A infantilização e a subestimação da pessoa com deficiência intelectual implicam em sérias barreiras para sua inclusão.

A Deficiência Intelectual desafia a escola comum no que se refere a ensinar, de levar o estudante a construir seu conhecimento e aprender. As “incapacidades” destas pessoas vão ser maiores em escolas que ainda hoje mantem metodologias de ensino rígidas, que não conseguem olhar para as especificidades e particularidades destes estudantes. A escola e o professor devem acreditar nas potencialidades que estes têm, pois todos tem. É necessário olhar para cada um e ver o que o mesmo necessita, e ao realizarem planejamentos, pensar em organizações de tempos escolares, regras de convivência na instituição, até a maneira como se vai ensinar tal conteúdo escolar.

É fundamente nesse sentido a parceria entre professores de sala comum e o professor do Atendimento Educacional Especializado – AEE, e o atendimento deste estudante neste serviço.

Na escola, conhecer o estudante com deficiência intelectual, suas preferencias, o que é importante para ele aprender e pra que aprender é o primeiro passo para uma aprendizagem de qualidade. Saber qual via se dá o aprender (visual, cenestésica, auditiva...) e a partir disso planejar estratégias positivas.

É importante considerar um ensino com afetividade, pois aprendemos o que gostamos e o que nos é significativo. Não adianta tentar ensinar a palavra com s – sino, se não é de habito ir a lugares que tenham o sino, ou se o barulho dele lhe causa incomodo.

Trabalhar coisas muito abstratas e fora do cotidiano deste estudante só contribuiu para maiores prejuízos e desmotivação ao aprender e até em ir à escola.

Usar de uma comunicação acessível, utilizando pedidos claros, com palavras simples, mas não infantilizadas e no diminutivo, pois pessoas com deficiência precisam de estímulos para continuar evoluindo em seu desenvolvimento.



Referências:

https://educa.ibge.gov.br/criancas/brasil/nosso-povo/19622-pessoas-com-deficiencia.html. Acesso em 09/07/2021.

https://institutoitard.com.br/como-trabalhar-com-alunos-com-deficiencia-intelectual/ Acesso em 06/07/2021.

https://institutoneurosaber.com.br/ Acesso em 06/07/2021