Inclusão desavisada faz exclusão bem intencionada.

Inclusão desavisada faz exclusão bem intencionada.

Por Pedro Ferreira, psicólogo
Inclusão desavisada faz exclusão bem intencionada.

É comum que quando nos colocamos a pensar numa sociedade inclusiva, imaginemos a criação de ambientes nos quais todos e todas participam de maneira ativa. Uma realidade na qual cada pessoa possui agência sobre sua vida e realiza suas escolhas a partir de suas singularidades. E, até aqui, tudo bem, sonhemos juntos e juntas! Porém, também é tão normal quanto que não pensemos sobre onde pretendemos incluir, para quê e quem. Pois, ainda que pensemos em todas e todos, nossa noção de universalidade apenas alcança aqueles e aquelas que já temos conhecimento e familiaridade, muitas vezes não contemplando as pessoas que nos são estranhas, divergentes e desviantes.

O paradigma da inclusão enquanto um ideal deve ser problematizado não apenas a partir de nossas condições técnicas e tecnológicas para a sustentação de uma educação inclusiva, mas, também, considerando de onde incluímos e onde pretendemos incluir. Afinal, em sua função social, todo projeto pedagógico tem como propósito a formação de pessoas aptas para a produção e consumo. E escolas, enquanto aparato do estado, ainda que em relação ambígua com o mesmo, é componente fundamental da sustentação da razão dominante.

Portanto, a inclusão em sua dimensão tanto técnica, material e filosófica, também pede por provocações. Até porque, se incluir significa superar as diferenças dos diferentes, o que temos é uma educação das semelhanças para a produção de igualdades. A inclusão possuí implicações sobre as relações de poder que compõem a educação. E, se as diferenças apenas forem valorizadas enquanto passíveis de superação a partir da ciência, o que temos é a inclusão escolar como processo de homogeneização dos menos divergentes a partir de sua assimilação por uma lógica capitalista de mercado.