Depoimento Fê Marins

Depoimento Fe Marins

Sou mãe de Bernardo, 17 anos, adolescente com TEA, TDAH e Apraxia da Fala. Ninguém imagina o que é um diagnóstico de TEA para seu filho ainda com comorbidades. Já pensaram nisso?

Sabemos que passamos do luto à luta, mas quando temos várias comorbidades, dentre elas o TDAH[1], muitas vezes o desespero bate, mas a luta continua. Nesse depoimento, cito TDAH, que muitos analisam como uma pessoa mal-educada, inquieta, desastrada, que vive no mundo da lua e assim vão os infinitos adjetivos pejorativos.

Além de tudo isso, vivemos numa pressão constante com a vida escolar, afinal a sociedade vive no velho paradigma ou no modelo que o diferente não é bem-vindo. Todo ano os mesmos medos me assombram, muitas perguntas não me deixam dormir, como: “Será que o meu filho ficará bem na escola? Será que os professores vão abraçá-lo e ajudá-lo em suas conquistas através de adaptação curricular, materiais etc.? Será que meu filho ficará sentado? Será, será e será...” Existe sempre uma discriminação, afinal tem dificuldades escolares e sociais.

Para o TDAH, além de terapias, de acompanhamento psicopedagógico, vem sempre a famosa “baguinha”, tão sonhada pela maioria dos professores e dos diretores. Mas não possuem a menor ideia como preciso cuidar para dar. Eles acreditam que têm que apenas medicar, no caso do meu filho que vive tendo rejeição e efeitos colaterais, nem sempre vem o resultado e a cada três meses tenho que fazer exames para verificar se o rim, fígado, pâncreas estão em ordem. Logo, apenas dar a mediação tão sonhada pela Educação, muitas vezes é um terrou para os pais. Gostaria muito que todos parassem de pensar que não é somente um remedinho e sim tudo que envolve tomar remédios durante anos.

Algumas vezes parece que não darei conta de tantas responsabilidades e tantas cobranças. Chego a ter angústias e frustrações, mas mesmo assim sigo em frente com a orientação médica e de toda equipe. Essa é a vida dos pais de crianças ditas como diferentes.

Enfim, é uma dedicação eterna, aceitando os diagnósticos, estudando os mesmos, buscando sempre uma conquista, não importando se era para ser na infância ou agora na adolescência. Sempre uma vitória por menor que seja, nós, pais, vibramos bastante!

Deixo apenas um recadinho: aprendo todos os dias com meu filho e recomendo que aceitem ele do jeito que é, não tentem modifica-lo e sim ajuda-lo. Seja sempre um grande amigo! A maioria das pessoas não faz ideia o quanto precisam de AMIGOS.