Transtorno do Processamento Sensorial e seletividade alimentar no TEA.

Transtorno do Processamento Sensorial e seletividade alimentar no TEA.

Por Fabíola Leite Costa

Terapeuta Ocupacional


Vários fatores podem contribuir para o desenvolvimento da seletividade alimentar, como por exemplo, questões envolvendo problemas gastrointestinais, emocionais, comportamentais e o Processamento Sensorial.

O Processamento Sensorial é o nosso cérebro recebendo, interpretando e filtrando todas as sensações que experimentamos e criando uma resposta adaptativa. Quando se executa o ato de Comer, no final de contas é realizada uma experiência sensorial.

Quando você come, você olha, cheira, toca, prova, percebe os sons ao mastigar e organiza movimentos para esta ação, sentindo todo esse processo que é executado quando a comida está em sua boca.
Ao final do processo, você experimentou todas essas sensações graças ao correto processamento sensorial, o qual executa sua função assim mesmo discretamente, de forma quase que automática e sem exigir muita atenção do nosso cérebro.
É por isso que é extremamente comum haver uma ligação entre o Processamento Sensorial com a recusa ou seletividade alimentar.
Quando esse Processamento Sensorial não acontece de maneira adequada, ocorre o conhecido Transtorno do Processamento Sensorial (TPS), impactando em diversas habilidades cotidianas da criança e, inclusive, na alimentação adequada.

Alguns sinais para disfunções sensoriais que podem impactar a alimentação:

Náuseas e ânsia de vomito ao ver, cheirar, tocar os alimentos;
Evita ou não gosta de sujar as mãos;
Come apenas tipos específicos de texturas (crocantes, secos, macios, líquidos, etc). Essa preferência pode vir acompanhada por solicitações altamente específicas de certas marcas, cores e sabores de alimentos;
Sobra ou embolsa comida (nas bochechas) frequentemente;
Coloca objetos na boca e mastiga excessivamente vários brinquedos depois dos 18 meses.

IMPORTANTE: Uma vez que problemas no Processamento Sensorial são tão comuns em crianças com Autismo, é importante que sejam observados os pontos acima destacados e outros sinais de desequilíbrio na alimentação da criança e da família. Em caso de dúvida, é importante procurar ajuda de um Terapeuta Ocupacional para uma avaliação e intervenção focada no perfil individual sensorial da criança.