Depoimento João

Depoimento de João

Tudo começou com um sonho, de fazer uma faculdade, mas eu achava algo muito distante, quase impossível na verdade. Eu não me via fazendo faculdade, até que acabou o ensino médio, e fiquei me dedicando 1 ano só no esporte. Passando esse um ano, veio ela... a faculdade. Fizemos a inscrição para o curso de fisioterapia e a primeira etapa a ser vencida era a redação para ingressar no curso. Foi um momento bem difícil, pois meu forte não é escrever, tive ajuda do meu pai na hora de montar as idéias para depois passar para o papel. Lembro que foi um momento de desafio para todos, para mim, meus pais e para a própria faculdade. Depois veio O segundo passo, que foi a entrevista com a coordenadora do curso escolhido e com o psicólogo. Também precisei passar por uma avaliação com a psicólogo para ver meu grau de comprometimento. E pronto, tudo deu certo!
Dei início ao primeiro semestre do curso de fisioterapia, eu estava com bastante medo e ansioso, não sabia o que me esperava. Até que veio a primeira dificuldade, a matéria de ciências morfofuncional e anatomia. Já de início tive apoio dos colegas de turma, e o professor Anderson que era o professor dessas matérias, conversava comigo que queria me ajudar, mas ainda não sabia como, mas com o tempo tudo foi se adaptando. Final do primeiro semestre e consegui passar para o segundo semestre com muita dificuldade.
A matéria que eu mais gostei no primeiro semestre foi primeiros socorros.
No segundo semestre eu teria novos obstáculos e novas dificuldades, mas agora eu não estaria mais sozinha, conseguimos a professora de apoio.
O engraçado foi como nós nos conhecemos, fui no mural olhar os horários de aula e a profe Mara estava ao meu lado, vendo os horários para suas aulas também. Ela me perguntou, seu eu conhecia o aluno João Vitor, um autista que ela iria dar aula. Lembro que falei, que essa pessoa era eu. Desde ali eu me apaixone por ela, gosto de conversar com ela e são momentos felizes que é bom relembrar.
Teve um fato que me marcou no primeiro semestre, fui viajar para uma competição na Holanda e quando voltei de viagem eu lembro que eu estava no carro indo para o treino de judô, falei para meu pai que eu iria desistir da faculdade, pois estava muito pesado, e meu pai com toda a paciência disse, depois vamos conversamos. Só que eu não sabia que meus colegas de turma estavam preparando uma recepção para comemorar o meu título, no dia seguinte. Quando cheguei na faculdade, havia duas colegas de sala me aguardando na chegada, e meu pai disse a elas que tinha uma confissão a fazer. Que o João estava pensando em desistir, e as duas falaram: não fala isso, para nós também é difícil e complicado. Fomos para sala, e quando abri a porta da sala, havia balões pendurados, cartas assinado por toda a turma, e uma mesa de doces e salgados. E meu pai novamente disse, que tinha uma confissão a fazer para toda a turma, que o João estava pensando em desistir. E alguns colegas falaram, não faça isso João, porque para nós também é difícil. Outra coisa que marcou foi que dois professores que estavam junto, falaram para mim que as dificuldades existem para serem superadas, que era difícil para todos.
Hoje estou no sétimo semestre, muito por causa do que esses dois professores falaram, isso ajudou eu continuar em frente e naquela festinha que eu via a Inclusão acontecendo de fato. Gostaria de falar muito, muito obrigado para vocês dois.
Vou falar um pouquinho das provas que não são mais fáceis para mim, elas são adaptadas para eu compreender.
O professor Anderson falava para mim que a prova seria em trio, eu a profe e o Espírito Santo.
Alguns professores marcaram, minha trajetória na faculdade.
Sempre me perguntei, como vou ajudar um autista, e fazendo a faculdade de fisioterapia estou encontrando essa resposta.
Gostaria de trabalhar na área da neurologia e com esporte.
Pode ser na moradia assistida. Essa minha vontade começou depois que ouvi Fátima de Kwant no Seminário do Instituto AutismoS falar sobre moradia assistida.
Eu imagino a moradia assistida um local que possamos escolher se queremos casa ou apartamento, tendo a opção de morar lá ou apenas passar o dia, de escolher de ter TV ou não, ter varanda ou não.
Um local de fazer refeições juntos, e por que não ter a opção de ter um pequeno mercado para quem não gosta de estar com bastante gente, ter a opção de fazer sua própria comida.
Um cinema, lavanderia, ter também ter equoterapia e um local para plantar e assim ter uma horta comunitária.
Resumindo a moradia assistida é um lugar que faz a inclusão acontecer.
A moradia assistida para quem é pai ou mãe de alguém que tenha alguma dificuldade, lá encontrará esperança e amor.
Não aceite quando as pessoas falam que vive não vai ser nada, que você não vai conseguir, sempre que houver dificuldades lembre, que elas estão aí para serem superadas.

João Vitor S Ferreira